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Histórias de História

Bem-vindo(a) Este espaço foi criado em 2017 e tem por objectivo de transmitir um pouco de tudo, que o publico desconhece ou nunca ouviu falar. Contudo a história por si é feita de pequenas e grandes histórias, desde factos banais a acontecimentos

Histórias de História

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Dona Amélia de Orleães - Senhora de Excelsas Virtudes

Na vasta galeria das rainhas de Portugal encontram-se algumas que viveram dramas  de grande intensidade. Sofreram como qualquer ser humano as vicissitudes de uma existência recheada de saudades (da família e da terra que, nalguns casos nunca mais viram), de ansiedade pelos perigos que corriam o marido e os filhos, das consequências de intrigas palacianas que lhes desvirtuavam, tantas vezes, o carácter, sofreram , enfim, a amargura comum a qualquer outra mulher.

A história julgou umas, com maior benevolência, outras, com amarga injustiça e, até, esquecimento.

Apareceu há já algum tempo, nas livrarias, um livro escrito pelo autor francês Stéphane Bern, intitulado “Moi, Amélie, dernière Reine de Portugal” e prontamente traduzido, respeitando à letra o título original.

Baseado em documentos inéditos, no diário íntimo e correspondência de D. Amélia de Orleães, o autor elaborou uma obra de muito interesse e verdade histórica, donde ressalta prestigiada a figura desta Rainha mal compreendida no seu tempo.

Seduziu-o, naturalmente, a vida atribulada desta Senhora que nasceu e morreu, no exílio, por imperativo político que conduziu ao banimento da família de Orleães, em França e, anos mais tarde ao da família Orleães Bragança, em Portugal.

  1. Amélia era filha do Conde de Paris, pretendente ao trono de França após a morte do filho de Carlos X.

 

Nasceu em Londres, no dia 28 de Setembro de 1865, para onde partira o rei Luís Filipe (seu bisavô) acompanhado de sua família, após a Revolução de 1848. A rainha Vitória recebeu, com toda a benevolência, a Família Real de França que por aqui estagiou alguns anos.

Após a guerra Franco-Prussiana, e deposto Napoleão III, os Orleães regressaram a França, em 1871.

Era, pois, uma criança de seis anos, quando D. Amélia pisou a terra dos seus antepassados e onde permaneceu até à sua vinda para Portugal, como Duquesa de Bragança.

Refere-se à sua infância, adolescência e juventude com alguma amargura, porque seus pais foram de uma grande exigência na sua educação e referindo que sua mãe chegava a dar-lhe bofetadas,  mesmo nas vésperas do casamento.

Valia-lhe a afeição das tias e tios, e o convívio com primos e amigos que lhe permitiam escapadelas a Cannes e a Andaluzia  (Sevilha), dominadas por caçadas, bailes, passeios, esquecendo, então, a austeridade do Castelo de Eu, na Normandia, sua residência habitual.

Cedo atingiu uma altura pouco vulgar numa mulher (1,82m) o que não lhe agradava, e lhe valeu, entre os familiares mais próximos, o petit nom de “grande”.

O facto de ser a filha mais velha do pretendente ao trono de França e, entretanto, ter atingido os dezoito anos, modificou o estilo de vida.

Jovem, de uma grande beleza ligada a uma família de grandes tradições não seria difícil concitar as atenções de casas reais da Europa, procurando um casamento com príncipes – herdeiros ou não – dos seus estados. No entanto, havia que transpor algumas barreiras, como a religião que a afastou da casa real inglesa e de algumas casas reais alemãs. Havia ainda obstáculos de natureza política a que era forçoso atender.

 

Em Viena conheceu um príncipe russo que lhe agradou, pelo seu aspecto físico, galhardia, cultura e inteligência, mas nada resultou deste encontro.

  1. Carlos de Bragança, jovem príncipe conhecido de um tio de D. Amélia, foi a Paris, intencionalmente para a conhecer.

Logo se sentiram atraídos por uma empatia mútua. Afinidades e gostos comuns (equitação, caça, arte) e a beleza física envolveram-nos num sentimento de amor.

Ela gabava-lhe o cabelo louro anelado, o bigode bem tratado, o porte, a delicadeza, o encanto pessoal e a juventude (vinte e três anos).

Ele revia-se na sua beleza delicada, no olhos escuros e expressivos, no colo de uma brancura imaculada, no seu charme.

Havia quem a lamentasse, dizendo-lhe directamente: “tu vais esconder-te num buraco” – tão mal era considerado o nosso país, nos finais do séc.XIX...

            Todavia, D. Amélia ficou indiferente a este mexericos, enlevada no seu pretendente.

O pedido de casamento foi tratado pouco tempo depois, realizando-se em Fevereiro de 1886, por forma a que D. Carlos pudesse permanecer em Paris, ainda alguns dias, para acompanhar sua noiva.

Regressado a Portugal, enviou cartas muito ternas a D. Amélia que está envolvida nos preparativos de casamento e sua partida para Portugal, o que aconteceu em meados de Maio seguinte.

Um comboio especial, trazendo a noiva, família e amigos, chegou à estação de Santa Apolónia, às cinco da tarde, aguardado pelo Rei D. Luís, a Rainha D. Maria Pia, todo o corpo diplomático e nobres da corte.

Entretanto, num gesto de delicadeza, D. Carlos foi esperá-la a Santa Comba Dão, onde trocaram, na gare, o seu primeiro beijo público.

O comboio deslizava por entre manifestações de alegria que o povo tributava, aos noivos, postado ao longo da linha férrea ou nas estações de paragem técnica.

O casamento celebrou-se na igreja de S. Domingos, ricamente decorada, no dia 22 de Maio de 1886.

O cortejo nupcial era imponente, com coches dos séculos XVII e XVIII, os militares em trajo de gala, montados em soberbos cavalos, fazendo guarda de honra aos carros que traziam as pessoas mais ilustres.

A descrição pormenorizada deste cortejo, bem como as festas palacianas e populares anteriores e subsequentes ao casamento encontra-se num livro, escrito pelo Marquês de Flers, e dedicado ao Conde de Paris.

Os noivos ficaram a residir no Palácio de Belém que D. Amélia recordava como a residência que mais lhe agradou e onde foi muito feliz.

Gostava de montar no picadeiro do Palácio, que mais tarde mandou adaptar a Museu dos Coches. Preocupada com o que respeitava à arte, entendeu que deviam reunir-se os coches dispersos por várias arrecadações.

É o museu que ainda hoje lá se encontra e constitui um acervo, sem par, na Europa, salvo o de Sampetesburgo.

Inicialmente a sua vida de casada foi de uma grande felicidade. Ao fim de pouco tempo – Março de 1887 - nasceu o príncipe Luís Filipe, criança que era o encanto de sua mãe e, como diz, não queria largar em nenhum momento.

Desempenhou tarefas oficiais, ao lado de seu marido, como, por exemplo, representar o Rei e a Rainha nas festas do jubileu da rainha Vitória.

Gostava da vida simples de uma família normal, por isso gostava de se refugiar em Sintra; de permanecer em Cascais, para ir à praia e nadar; de caçar, na tapada de Mafra; de ir ao teatro D. Maria II ou a S. Carlos, à ópera, sempre acompanhada do marido.

A pintura, o desenho, a contemplação de paisagens, retratos de figuras populares, sofredoras na sua vida de trabalho, absorviam-lhe o tempo gostosamente dedicado à arte.

Em 1889, com a morte de D. Luís, torna-se Rainha de Portugal, o que determinou a alteração de algumas normas da vida restrita que apreciava.

Todavia pôde entregar-se vivamente à obra de bem-fazer que passa a ser a sua preocupação dominante.

Fundou a Assistência Nacional aos Tuberculosos que funcionava num edifício ainda hoje ligado aos mesmos serviços, no Cais do Sodré, tornando a assistência pragmática, pondo em funcionamento dispensários distribuídos por vários distritos do país. Crianças e adultos atingidos pelo mal do século eram atendidos e tratados. Tudo isto a expensas suas.

Fundou também os Sanatórios de Santana e do Outão (à beira-mar), o de Sousa Martins(Guarda) e um em Braga. Também o hospital do Rego, para crianças; as Cozinhas Económicas, os Socorros a Náufragos, o Instituto do Ultramar, o Instituto Bacteriológico Câmara Pestana (para preparação do soro anti-rábico e antidiftérico).  Para sustentar esta obra recorria à generosidade de amigas deixadas em França e outras de Portugal.

Gostava de se misturar com o povo, em procissões religiosas; conversar com as varinas; vivenciar a degradação dos pobres que se arrastavam pelas ruas da cidade, o que redobrava a sua ânsia de lutar contra este mal social.

Os homens esquecem depressa os benefícios colhidos, seja qual for a época da história.

Portugal vivia, então, momentos políticos de grande agitação. Todos os intelectuais, escritores de mérito, em críticas aceradas remetiam para o regime a responsabilidade do nosso atraso económico, cultural e social.

Revoltas de tribos africanas facilmente manipuladas por franceses, ingleses e alemães  obrigaram à mobilização de militares que vão combater em Angola e Moçambique.

O Ultimato de 1890 enviado pela Inglaterra despertou, nos Portugueses, uma onda de revolta.

Os partidos políticos que mais se destacaram (Regenerador e Progressista) alternam-se no poder , mais interessados em manter o seu prestígio do que em zelar pela governação. Os governos sucediam-se uns aos outros , sem cumprirem os programas necessários ao país.

João Franco recebeu de D. Carlos poderes dilatados, o que levou a uma reacção exarcebada dos políticos que defendiam ideais republicanos e apareciam, cada vez,  em maior número.

Associações secretas e anarquistas incitavam à violência que, de resto, varria as casas reais da Europa e políticos conservadores.

  1. Carlos que era inteligente, culto e bom diplomata não foi capaz de aguentar a crise grave que se instalara, começando a ser vítima, bem como toda a família real, de intrigas, censuras e alimentadas por uma imprensa que recorria à chacota, até em desenhos intencionais.

No dia 1 de Fevereiro de 1908, deu-se o regicídio, nas condições conhecidas.

Podemos imaginar a dor e todo o dramatismo sofridos por D. Amélia. Na sua presença mataram o marido e o filho; corajosamente bateu, com um ramo de flores que uma menina lhe oferecera,  no Cais das Colunas, afastando um dos regicidas que queria matar D. Manuel..

Destroçada pelo aspecto desolador do marido e do filho tão querido  ensanguentados, teve de reunir forças para velar os corpos, na capela do Palácio das Necessidades (sua residência) e onde, anos antes, havia recebido a Rosa de Ouro oferecida por Leão XIII, pelos seus serviços prestados aos necessitados.

Na sua mente atropelavam-se todas as ideias, desde as saudades amargas   ao espanto de um acto atroz.

Havia que enfrentar a realidade. D. Manuel, agora Rei, jovem e impreparado para governar, precisava do apoio de sua mãe , dos seus conselhos e da sua experiência política.

Apesar da luta concertada para levar o barco a porto seguro, a instabilidade continuava a ser uma constante.

Os republicanos não desistiam, os monárquicos revelaram-se laxistas; a instituição monárquica tinha os dias contados.

Em 5 de Outubro de 1910, a República é implantada.

A Família Real procurou o exílio, recolhendo a bordo do iate Amélia ancorado ao largo da Ericeira.

A Rainha D. Amélia seguiu para Inglaterra, acompanhada de D. Manuel II; a rainha D. Maria Pia, acompanhada do Infante D. Afonso regressou à sua Itália natal, a Turim.

De novo o exílio!

Durante a 1ª. Grande Guerra, D. Amélia distribuiu o seu serviço em favor de feridos, defesa de crianças e adolescentes entre a Inglaterra e a França.

Em 1922, fixou-se definitivamente em França, em Chesney, perto de Versailles.

Depois de ter visto desaparecer pessoas de família que lhe eram muito queridas, D. Manuel II morreu, em 1932, inesperadamente, na sua casa de Richmond. Mais uma rude provação para um coração de mãe.

Assistiu em França ao desenrolar da 2ª Guerra Mundial, sofrendo a ansiedade dos franceses que viram a França ocupada pelas tropas alemãs, apenas em três semanas.

Manteve-se firme na sua casa, prestando auxílio aos que precisavam de ajuda. A bandeira portuguesa içada no alto do telhado, mostrava aos invasores que se tratava de uma propriedade de Portugal, pois que D. Amélia continuou a sentir-se portuguesa, a nacionalidade que abraçou, e nunca renegou, ao casar-se com D. Carlos.

Veio a Portugal em 1945, para visitar os túmulos de seu marido e dos filhos e tratar, com o governo, de assuntos que se prendiam com a herança de D. Manuel.

Os jornais da época falam do entusiasmo do povo em a rever ou conhecer e das homenagens oficiais que lhe foram prestadas.

Visitou o Palácio da Pena (quis ficar sozinha, por algum tempo, enquanto percorria certos espaços), Cascais, o Buçaco, Mafra e Ericeira (a praia por onde partiu para o exílio).

Visitou a Assistência Nacional aos Tuberculosos que havia fundado quarenta e seis anos antes.  Proferiu algumas palavras, evidenciando que aquela casa fora o seu grande sonho.  O Director da instituição disse, então, que era estudante de medicina quando, naquela mesma sala viu Sua Majestade proceder à inauguração da Assistência Nacional aos Tuberculosos.

Regressou a França, não sem antes ter recebido uma despedida muito afectuosa, por parte de entidades oficiais, e de pessoas do povo que enchiam a estação de Santa Apolónia.

E, no momento em que o comboio se preparava para partir, soltou um “Viva a Portugal “...

Viveu ainda mais seis anos. Desgostosa e saudosa, queixava-se de solidão.

Rodeada de pessoas dedicadas que estavam ao seu serviço (algumas eram portuguesas) e de alguns familiares faleceu no dia 25 de Outubro de 1951.

Pouco antes falou em Português.

O seu corpo foi transladado para Portugal, realizando-se funerais nacionais. Ficou sepultada no Panteão Nacional, em S. Vicente de Fora, junto do marido e dos filhos.

Uma inscrição gravada na arca tumular, sintetiza o drama desta Senhora, nem sempre compreendida pelos homens do seu tempo e não muito referida nos dias de hoje.

 

            Aqui descansa em Deus D. Amélia de Orleães.

Rainha no trono, na caridade e na dor.

 

Em rodapé:

Uma delegação vinda de França colocou uma placa em mármore que diz o seguinte:

 

Souvenir du Chesnay (France) dernier asyle de la Reine Amélie – Hommage de la Societé d´Histoire du Chesnay.  1996

Já pode espreitar 130 fotografias da última rainha de Portugal

 

Para celebrar os 152 anos do nascimento de D. Amélia, o Palácio da Ajuda tirou dezenas de fotos dos álbuns pessoais da rainha e mostra-as agora ao público. Muitas foram tiradas pela família.

Quando uma nova invenção chamada fotografia chegou a Portugal, a sociedade oitocentista recebeu-a com curiosidade. Entre os mais entusiastas estava a rainha D. Amélia, que colecionou quase 50 álbuns de fotografias, ora tiradas por ela e pelo rei D. Carlos, ora feitas por profissionais. Uma seleção de 130 dessas imagens está exposta a partir desta quinta-feira no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, na exposição “Tiré par… A rainha D. Amélia” — nesta fotogaleria pode ver 19 delas.

Após o regicídio, a 1 de fevereiro de 1908, a rainha D. Amélia voltou ao estúdio para ser fotografada em traje de luto. Um pormenor que mostra a relação da rainha, nascida há 150 anos, com a fotografia. Quando a família real viajava, visitava os grandes estúdios europeus, como Boissonas et Taponier em Paris, Numa Blanc fils em Cannes ou Withmore e W. S. Stuart em Londres, para que fizessem o seu retrato, pode ler-se no texto que acompanha a mostra. Mas em muitas das imagens encontram-se as inscrições “Tirée par Carlos” (tirado por Carlos), “Tirée par le Prince” ou “Tirée par le Marquis de Fronteira”, o que inspirou o título da exposição.

Pouco ficava entregue ao acaso. Nas fotos tiradas aquando das visitas de Afonso XIII de Espanha, Eduardo VII de Inglaterra e do Presidente Loubet de França, os protagonistas apresentavam-se por ordem hierárquica. Os reis e presidentes ficavam em primeiro plano, por trás os príncipes, ministros, conselheiros e embaixadores, por vezes enquadrados por militares nos seus trajes de gala.

No dia-a-dia, os reis registaram os momentos de lazer e de intimidade, desde as caçadas em Vila Viçosa e Mafra aos piqueniques na praia da Adraga. Ao longo dos álbuns, bem legendados e datados, há imagens onde é possível ver a rainha e o rei a segurar as câmaras.

“Tiré par… A rainha D. Amélia” foi comissariada por Luís Pavão e produzida em parceria pela Fundação Casa de Bragança, Palácio Nacional da Ajuda e Centro Português de Fotografia. Pode ser vista em Lisboa até 20 de janeiro de 2016, de quinta a terça-feira, das 10h às 18h, com a entrada a custar cinco euros. Em maio segue para o Paço Ducal de Vila Viçosa e em setembro fica no Porto, no Centro Português de Fotografia.

Funeral da Ranha D.Amélia de Orleães (1951)

 

«Emmenez-moi au Portugal; je m’endormirai en France, mais c’ést au Portugal que je veux dormir pour toujours.» - Rainha Dona Amélia

A 25 de Outubro de 1951 foi recebida em Portugal, a triste noticia de haver falecido, em Versailles, a Augusta e Venerada Senhora Dona Amélia de Orléans e Bragança, Rainha de Portugal.

A Rainha Senhora Dona Amélia, pelo muito amor e afeição que teve a Portugal de que foi Rainha e pelo que muito honrou e tão dignamente serviu a Pátria, bem mereceu todas as honras e homenagens que lhe foram prestadas.

Ela tornou-se justamente credora em todos os corações portugueses que tiveram o prazer de a conhecer. Como que uma respeitosa veneração, todos continuaram a tê-la, na sua memória, como a Rainha de Portugal. Ela era amada e querida por todos.

Não podia o Governo português mostrar-se insensível a tantas provas de amor patriótico e de civismo, dadas por uma Mulher que se encontrava exilada da sua amada Pátria.

  Foi enviado a França o NRP Bartolomeu Dias, para trazer o seu corpo para Portugal, missão confiada ao Exmº Capitão-de-Mar-e-Guerra, Oliveira Lima ao 2º Comandante Aragão e ao Reverendo Padre Correia da Cunha. Foi no dia 26 de Novembro de 1951, que a urna com os restos da Rainha D. Amélia Rainha de Portugal foi transportada a bordo do navio da Armada Portuguesa, no Porto de Brest.

Dignificou-se o Governo Português em dar fiel cumprimento dos desejos expressos por Sua Majestade, promovendo a vinda para Portugal dos seus restos mortais, que ficariam no Panteão da Dinastia de Bragança, em São Vicente de Fora, junto aos túmulos de Seu Marido e Filhos. Coube a este mesmo Governo, fazer-lhe um funeral nacional, com as honras devidas à Sua dignidade de Rainha de Portugal e de considerar luto nacional o dia 29 de Novembro.

Revestiu-se de grande imponência e da mais esplendorosa solenidade o funeral da Rainha Senhora Dona Amélia, que se realizou oficialmente em Lisboa.

 

O cortejo fúnebre teve início no Terreiro do Paço, conforme podemos verificar na presente foto. Marinheiros do Bartolomeu Dias, transportando a urna, formavam um cortejo, encabeçado por Padre José Correia da Cunha – capelão da Marinha Portuguesa.

Estas cerimónias tiveram o cunho impressionante da gratidão e da saudade portuguesa, manifestada no comovido recolhimento e no religioso respeito com que muitas centenas de milhares de pessoas, que assistiram à passagem da urna, que encerrava o corpo da excelsa e querida Rainha dos Portugueses.

 

O povo permaneceu monárquico e apesar duma república imposta, não esqueceu a sua Rainha.

Foi testemunhado que, quando a urna foi retirada do Coche para ser conduzida para o templo, uma força militar, formada por soldados de Infantaria 1 deu as descargas da ordem, ao mesmo tempo que os clarins tocavam a sentido. As bandeiras, os estandartes e os guiões baixaram em funeral e uma banda de música executou a marcha fúnebre de Chopin.

 Às cerimónias religiosas realizadas na Igreja de São Vicente de Fora assistiram  o "chefe de estado" membros do governo, Reis e Príncipes estrangeiros, altas patentes do Exército e da Armada, Corpo Diplomático, altas autoridades civis, Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa e outras dignidades eclesiásticas, onde se incluía o Padre José Correia da Cunha.

 

A missa solene de “Requiem” foi presidida pelo Cónego Arcediago da Sé de Lisboa, Dr. Avelino Gonçalves, acolitado pelos beneficiados Vítor Franco e Gonçalves Pedro.

Antes de se dar início à Missa fez-se ouvir a marcha fúnebre de Schumam, tendo depois a orquestra executado a missa de Perosi.

O Senhor Visconde de Asseca e o Senhor Capitão Júlio da Costa Pinto foram inclusive a bordo do NRP Bartolomeu Dias, agradecer ao Comandante e à tripulação do navio, da armada portuguesa, a forma respeitosa e o serviço religioso, assim como o patriótico recolhimento, com que toda a tripulação do navio se associou ao luto da Nação. Este episódio foi-me relatado por Padre Correia da Cunha, dando a entender que o cadáver de Sua Majestade foi velado piedosamente durante todo o trajecto desde o Porto de Brest até ao Terreiro do Paço, em Lisboa.

No dia que passam 60 anos sobre essa data não poderia deixar de recordar esta última guarda de honra, ou seja, a homenagem saudosa e comovida da dedicação e da lealdade dos seus antigos súbditos.

Embora francesa de origem, tornou-se portuguesa pela afeição à sua Pátria adoptiva, que a ela se prendeu com todos os afectos. Era esta afeição que lhe aprimorava a alma e o coração. Ficou gravada em pedra, no seu túmulo, em letras gravadas a ouro:

AQUI DESCANSA EM DEUS

DONA AMÉLIA DE ORLEÃES E BRAGANÇA

 

 

 

Maria Amélia Luísa Helena de Orleães (Twickenham, 28 de setembro de 1865 — Le Chesnay, 25 de outubro de 1951) foi a última rainha de facto de Portugal.

Durante a sua vida, Amélia perdeu todos os seus familiares diretos: defrontou-se com o assassinato do marido, o rei D. Carlos I de Portugal, e do filho mais velho, o príncipe real D. Luís Filipe (episódio conhecido como Regicídio de 1908); vinte e quatro anos mais tarde, recebeu a notícia da morte do segundo e último filho, o rei D. Manuel II; e também ficara de luto com a morte de sua filha, a infanta D. Maria Ana de Bragança, nascida em um parto prematuro, e, em 1920, com a morte do cunhado, o infante D. Afonso de Bragança, Duque do Porto, único irmão do rei D. Carlos I.

Ela foi um dos membros da família real portuguesa exilada após a implantação da república - facto ocorrido a 5 de outubro de 1910 - que visitou Portugal em vida, bem como o último membro a morrer, aos oitenta e seis anos. Amélia de Orleães viveu sofridas décadas de exílio, entre Inglaterra e França, onde aguentou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Esta frase estava entre as suas últimas palavras:

Quero bem a todos os portugueses, mesmo àqueles que me fizeram mal.

 

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O Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos (IANT) foi criado em 1953

No IANT, foi integrado a Assistência Nacional aos Tuberculosos) criada por D. Amélia, rainha de Portugal, em 1899 pela Lei de 17 de Agosto. Na época, o total de mortes por tuberculose era estimado em 15 a 20 mil (o equivalente a uma taxa de 297 a 396 por 100 mil habitantes).

 

 

Instituto Rainha Dona Amélia, depois Instituto Na

 

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Synopsis

A intenção do autor é estudar o doente, investigando seus sentimentos e seu papel no contexto da tuberculose. Para tanto, ele desvenda a doença, os especialistas, as instituições e as relações sociais relacionadas à peste branca no Brasil nos primeiros cinqüenta anos do século passado. Interessante para os profissionais de saúde, historiadores e todos os interessados pelo enfoque humano na história da tuberculose, este livro discute a construção do ideário sobre a doença no Brasil, analisando comportamentos individuais e coletivos. A utilização de fontes documentais diversas, como obras literárias e os prontuários médicos, é importante, na medida em que constituem peças fundamentais na composição da história social da doença e do doente e de todos os envolvidos na tragédia regida pela tuberculose.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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