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Histórias de História

Bem-vindo(a) Este espaço foi criado em 2017 e tem por objectivo de transmitir um pouco de tudo, que o publico desconhece ou nunca ouviu falar. Contudo a história por si é feita de pequenas e grandes histórias, desde factos banais a acontecimentos

Histórias de História

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O que é o Vaticano?

Imagine um país onde moram 900 pessoas, localizado dentro de uma cidade e no qual o papa manda nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele existe

O Vaticano, sede da Igreja Católica Apostólica Romana, é o menor país soberano do mundo. Fica no centro de Roma, capital da Itália, em um território que não chega a meio quilômetro quadrado e onde vivem cerca de 900 pessoas. O papa, além de ser a autoridade máxima da Igreja, também é o chefe absoluto dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Vaticano. Lá, não há partidos políticos. Quando um papa morre ou renuncia, essa autoridade é concedida transitoriamente para um colégio de cardeais – responsável pela eleição do próximo pontífice. A Fábrica de São Pedro, órgão correspondente a uma prefeitura, cuida da manutenção dos prédios e da limpeza pública, entre outras coisas.

O país não tem exército. Atualmente, a Guarda Suíça – aqueles sujeitos com roupas medievais coloridas – cuida da vigilância de honra das entradas da cidade e dos aposentos papais. A segurança armada fica por conta da polícia italiana. A nação tem ainda emissoras de TV e rádio próprias, além de um jornal impresso. Mesmo não sendo integrante da ONU, tem ali observador permanente, com acesso a documentos e debates em todos os programas.

O Vaticano não faz parte da União Europeia, mas adotou o euro como moeda. O dinheiro do país é cuidado pelo Banco do Vaticano, fundado em 1887 para administrar as finanças da Igreja. Oficialmente, a economia do Estado está baseada em donativos e nos juros dos investimentos de seu patrimônio.

O Estado da Cidade do Vaticano foi criado em 1929, com a assinatura de um acordo entre a Santa Sé e o premiê italiano Benito Mussolini. Os fascistas indenizaram o Vaticano em 1,75 bilhão de liras pelas terras tomadas durante a unificação italiana, em 1870. A formação do Estado italiano foi um golpe duro de engolir para as autoridades eclesiásticas – na Idade Média, os Estados Papais chegaram a ter um território contínuo que se estendia desde a Campânia, no sul da Península Itálica, até a Emília-Romana, no norte, com portos nos litorais Tirreno e Adriático. Isso sem falar no sem-número de terras de propriedade da Igreja espalhadas pelo mundo todo

 

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Vaticano

A Cidade do Vaticano, publicamente denominada Estado da Cidade do Vaticano, é o núcleo oficial da Igreja Católica, o menor país do globo, localizado no interior de outra nação, a Itália, próxima à capital, Roma. Ela constitui uma cidade-estado autônoma, desprovida de águas costeiras, e perfaz somente 0,44km², o que corresponde a um vasto quarteirão.

Neste centro da Igreja encontra-se o papa, líder máximo do catolicismo e também desta circunscrição estatal, que abriga cerca de 800 moradores. A autoridade maior do Vaticano está centrada na Santa Sé, alçada eclesiástica, esfera administrativa que estabelece a interação com as demais nações, e tem poderes para integrar acordos internacionais.

O idioma convencional do Vaticano é o italiano e o latim; este pequeno estado, apesar de sua dimensão, também conta com diplomatas ao longo do globo, bem como abriga embaixadas de outros países, particularmente em Roma. Esta cidade foi criada em 1929, diferentemente da Santa Sé, a qual é tão antiga quanto o próprio Cristianismo original. Ela constitui a mais importante sede episcopal, englobando 1,142 bilhões de católicos romanos em todo o Planeta.

Há algumas diferenças entre a Santa Sé e o Vaticano; os dois apresentam passaportes singulares; à primeira cabem os diplomáticos e os das funções utilitárias, e ao segundo estão reservados os passaportes comuns. Documentos que circulam pela sede episcopal são elaborados em latim, enquanto os da cidade-estado são produzidos no idioma italiano.

O Vaticano foi fundado através do Tratado de Latrão, um país original, não um remanescente dos antigos Estados Pontifícios, que anteriormente incluíam a região conhecida como Itália Central. Esta pequena nação é sacerdotal-monárquica, ou seja, gerida pelo bispo romano, o Papa, que reside no Palácio Apostólico desde a volta do papado a Roma, em 1377, pois temporariamente o poder papal estava concentrado na cidade de Avignon, localizada no Sul da França.

Antes desta mudança do papado para a França, os papas moravam no Palácio de Latrão, na região oposta de Roma, onde foi firmado o contrato que criou esta cidade-estado. Clérigos da Igreja Católica de diversas procedências raciais, étnicas e geográficas configuram a constelação de trabalhadores públicos que servem ao Vaticano.

A temperatura comum nesta cidade é a típica da região mediterrânea. Um grande número de peregrinos se dirige anualmente ao Vaticano para ter uma rápida visão do Papa; assim, o principal turismo neste local é o de natureza religiosa. Os pontos de maior visitação nesta cidade são a Praça de São Pedro e a Basílica, aí localizada

 

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Tratado de Latrão

O Tratado de Latrão é um acordo assinado entre a Itália e a Santa Sé.

Depois de toda a perseguição sofrida pelos cristãos católicos durante o Império Romano, a Igreja Católica conquistou seu espaço religioso e político na sociedade europeia. Gradativamente sua influência foi aumentando. Primeiro, recebeu a liberdade de culto. Depois, tornou-se a religião oficial do império. Quando este chegou ao fim, a Igreja Católica era a instituição mais influente e, por isso, se tornou a referência e detentora do maior poder durante o período conhecido como Idade Média. Nessa época, os católicos receberam do rei dos francos, Pepino, o Breve, um grande território no centro da Itália. Surgiam assim, em 756, os Estados Pontifícios que vigoraram até 1870. No decorrer desse longo período, a Igreja passou por expansões que a concederam grande poder.

Quando as tropas do rei Vitor Emanuel II invadiram Roma, em 1870, incorporaram parte do território que era da Igreja Católica. No ano seguinte, o monarca ofereceu ao Papa Pio IX uma indenização e a garantir de sua permanência como Chefe do Estado do Vaticano. No entanto, o papa não se satisfez com a proposta e se declarou refém do poder laico, dando início a um problema diplomático chamado de Questão Romana. Esta se refere à disputa territorial que envolveu o papado e o governo italiano. A querela se desenvolveu por décadas. A Itália deixou de ser uma monarquia e se tornou uma república. A situação permaneceu a mesma até que o ditador Benito Mussolini resolveu dialogar com as lideranças da Igreja para chegaram a um acordo.

No dia 11 de fevereiro de 1929, Mussolini e o cardeal Pietro Gasparri assinaram um acordo denominado Tratado de São João de Latrão, simplesmente conhecido por Tratado de Latrão. O acordo criou um novo Estado, o Vaticano, que é o menor em extensão territorial do mundo, dotado de apenas um quilometro quadrado. Porém é soberano, neutro e inviolável e governado pelo papa. Para aceitar o reconhecimento do novo Estado, a Igreja Católica abriu mão dos territórios que possuía desde a Idade Média e reconheceu Roma como a legítima capital da Itália.

O Tratado de Latrão deu completa autonomia ao Vaticano e o poder de Chefe de Estado ao papa. Em função do território perdido, o Vaticano recebeu ainda uma significativa indenização. A Igreja Católica gozou do reconhecimento de religião oficial da Itália, o que resultou na instituição do ensino confessional obrigatório, na validade civil dos casamentos religiosos, na proibição do divórcio e outras vantagens dadas ao clero. Mas essa relação foi abalada anos mais tarde, 1978, quando a Itália se tornou um Estado laico, o que derrubou várias normas de cunho religioso. Assim, estabeleceu-se uma situação de desconforto entre as duas partes e o Tratado de Latrão foi revisto em 1984. O Vaticano manteve sua soberania, mas o ensino religioso obrigatório, por exemplo, foi definitivamente abolido. Atualmente, o Papa Francisco é o Chefe de Estado do Vaticano.

 

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Papa Pio IX

Pio IX foi o papa de número 255 na história da Igreja Católica, entre 1846 e 1878.

Nascido no dia 13 de maio de 1792, Giovanni Maria Mastai-Ferreti nasceu na cidade italiana de Senigallia e estudou em Roma. Tentou seguir carreira militar, mas, por sofrer de epilepsia, não conseguiu ingressar na carreira e optou pela teologia. Sua ordenação como sacerdote se deu em 1819 e, então, foi para o Chile, onde exerceu seus primeiros anos de sacerdócio. Voltou à Itália em 1825 e, dois anos depois, foi nomeado arcebispo de Spoleto. Chegou ao posto de cardeal em 1840. Com o falecimento do papa Gregório XVI, um conclave foi convocado para escolher o novo Supremo Pontífice. Houve uma divisão entre os reformadores e os conservadores da época e Giovanni Mastai-Ferreti era identificado como um candidato liberal. Sagrando-se como vencedor no dia 16 de junho de 1846, assumiu o nome de Pio IX para homenagear seu antigo benfeitor Pio VIII.

Pio IX desenvolveu um pontificado condenando o que chamava de falso liberalismo, condenava o panteísmo, o naturalismo, o racionalismo, o socialismo, o comunismo, a franco-maçonaria, o judaísmo e várias outras manifestações tidas como contrárias às diretrizes católicas. Insistia que a única teologia e a única filosofia que deveria ser seguida era a de São Tomás de Aquino.

Como devoto da Virgem Maria, promoveu o dogma da Imaculada Conceição e também a devoção ao Sagrado Coração. Foi responsável também por um elevado número de beatificações e canonizações, sem precedentes para a época, e por reformas monásticas e litúrgicas. Convocou o concílio Vaticano I que determinou a infalibilidade papal como dogma da fé.

Pio IX teve uma relação tensa com o judaísmo. Mesmo abolindo leis que determinavam condições opressoras aos judeus, condenou o judaísmo em uma de suas encíclicas. Por sinal, publicou mais de 75 encíclicas.

Seu pontificado durou 31 anos, o segundo maior da história, só perdendo para São Pedro. Ocupando o cargo de Supremo Pontífice, foi um conservador. Condenava todas as novas ideologias e os movimentos que faziam parte do mundo moderno. Pio IX faleceu no dia sete de fevereiro de 1878 e foi sucedido por Leão XIII. Seu túmulo está na igreja de San Lorenzo Fuori le Mura. Sua beatificação foi controversa, mas o resultado foi dado no ano 2000.

 

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Praça de São Pedro

A Praça de São Pedro está à frente da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Projetada por Bernini, no século XVII, a Praça de São Pedro, que integra as grandes manifestações arquitetônicas do cristianismo no pequeno Estado do Vaticano, é baseada no estilo clássico recebendo influências também do barroco. Seu estilo clássico é representado pela coluna dórica que adorna a entrada para a Basílica de São Pedro envolvida por uma grande área oval. O estilo barroco está representando, por sua vez, no próprio espaço oval característico da praça, um reflexo da Contra-Reforma.

O centro da Praça de São Pedro apresenta um obelisco do Antigo Egito com mais de 40 metros de altura e com uma cruz no topo. É um monumento datada do século I e que foi levado à Roma pelo imperador Calígula. Evidentemente, não havia praça naquela época, o monumento foi colocado no local atual por ordem do papa Sisto V, em 1585, que teria colocado ainda alguns pedaços da cruz original de Jesus Cristo no obelisco.

A Praça de São Pedro é a porta de entrada para os turistas no pequeno Estado do Vaticano. Porém nem sempre ela foi tão atrativa como hoje. O local existente antes das obras orientadas por Bernini era apenas uma grande área retangular de terra sem adornos além do obelisco e de uma fonte. O papa Alexandre VII, que ordenou a remodelação do lugar, exigiu que a obra providenciasse um espaço no qual o público ficaria de frente para o balcão através do qual o papa dá sua benção à cidade e ao mundo. Assim, Bernini projetou um espaço de interação formado por uma área que simbolizaria a Igreja Mãe, área para movimentação de carro em corredores, espaço para deslocamento dos pedestres até o obelisco central e uma grande área que causa efeito visual de impacto de frente para a Basílica de São Pedro. O espaço ainda conta com a presença do Palácio Apostólico.

A Praça de São Pedro é um dos grandes símbolos do cristianismo no mundo, não só por representar a sede papal, mas por sua beleza e por seu impacto arquitetônico. Nessa praça são realizadas as principais celebrações católicas para os fieis, como as missas mais importantes do ano. É através do balcão que está de frente para a praça que o papa se comunica com o mundo.

 

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Benito Mussolini

Benito Mussolini foi um político italiano que nasceu em Dovia di Predappio. Filho de um ferreiro anarquista revolucionário chamado Alessandro Mussolini e de uma professora chamada Rosa Maltoni. Embora viesse a se tornar um dos maiores oradores do século XX, seus pais acharam que era mudo, pois começou a falar muito tarde. Cursou magistério e acabou sendo professor, mas nunca durante espaços muito longos já que viajava muito. Logo teve problemas com as autoridades e foi expulso da Áustria e da Suíça, onde tinha tido contato com o movimento irredentista (doutrina segundo a qual um povo deve aspirar à complementação da própria unidade territorial nacional, anexando terras sujeitas à dominação estrangeira, baseada em uma teoria de uma identidade étnica ou de uma precedente posse histórica, suposta ou verdadeira).

Em sua primeira filiação política, contudo, aproximou-se do Partido Socialista, atraído pela sua ala mais radical. Do socialismo, mais do que seus postulados sociais e reformadores, foi seduzido pela sua vertente revolucionária. Em 1910, foi nomeado secretário da federação provincial de Forli e, logo em seguida, tornou-se editor do semanário La Lotta di classe (A Luta de Classes).

A vitória da ala radical no congresso de Reggio nell’Emilia, celebrado em 1912, proporcionou-lhe maior protagonismo no seio da formação política, que aproveitou para ficar responsável pelo periódico milanês Avanti, órgão oficial do partido. Mesmo assim, suas opiniões sobre os enfrentamentos armados da “semana vermelha” , em 1914, motivaram certa inquietude entre seus companheiros, atemorizados por seu radicalismo. A divisão entre o partido e Mussolini aumentou quando foi proclamada a neutralidade de Mussolini, depois da entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914. Em novembro do mesmo ano, fundou o periódico Il Popolo d’Italia, de tendência ultranacionalista, fato que lhe custou a expulsão do Partido Socialista.

Posteriormente, Mussolini quis capitalizar o sentimento de insatisfação que tomou conta da sociedade italiana depois do fim da contenda e chamou o povo à luta contra os partidos de esquerda, responsáveis, segundo Mussolini, pela ruína e, desta, forma criou os fasci di combattimento, grupos armados de agitação que foram o início do partido fascista. Mussolini ganhou a simpatia de grandes proprietários e foi eleito deputado nas eleições de maio de 1921.

A impotência do país para enfrentar a situação em que se encontrava e a dissolução do parlamento abriram caminho para a denominada marcha sobre Roma, esta aconteceu no dia 22 de outubro de 1922. Sua entrada triunfal na capital italiana, ocorrida sem nenhuma oposição, visto que aconteceu com apoio do exército e do governo, motivou a nomeação de Mussolini para primeiro ministro por parte do rei Vitor Manuel III.

Gradualmente, ainda que com maior ímpeto depois do assassinato do deputado socialista Giacomo Matteotti, em 1924, Mussolini instaurou-se como único poder, aniquilou qualquer forma de oposição e acabou por transformar seu governo numa ditadura. Apoiado por um amplo setor da população e com um eficaz sistema de propaganda, realizou grandes investimentos em infra- estruturas e recuperou velhos projetos expansionistas, como a conquista da Etiópia (1935) e a anexação da Albânia (1939).

Depois que Hitler chegou ao poder na Alemanha, Mussolini foi se aproximando do nazismo e, logo após as primeiras vitórias nazistas na Segunda Grande Guerra, que o ditador italiano julgou serem definitivas, declarou guerra aos aliados. Contudo, o fracasso do exército italiano na Grécia, Líbia e África oriental, bem como o avanço das tropas aliadas, motivaram sua prisão, ordenada por Vitor Manuel III, que depois de um golpe de Estado, decretou o fim do fascismo.

Libertado por paraquedistas alemães, no dia 12 de setembro de 1943, Mussolini criou uma república fascista no norte da Itália, mas o avanço das tropas aliadas o obrigou a fugir para a Suíça. Mussolini, disfarçado de oficial alemão, tentou atravessar a fronteira e foi descoberto em Dongo por membros da resistência (27 de abril de 1945). No dia seguinte foi fuzilado junto com sua companheira: Clara Petacci.

 

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Jardins do Vaticano: natureza e espiritualidade

O Vaticano é uma Cidade-Estado, soberana, “sacerdotal-monárquica”, que existe desde 1929 aquando do Tratado de Latrão. É sede da Igreja Católica, ocupa um território murado, próximo da margem direita do rio Tibre, dentro da cidade de Roma, capital da Itália, com aproximadamente 44 hectares e com uma população de cerca de 800 habitantes. O Vaticano é governado pelo bispo romano, o Papa, que aqui tem residência fixa, no Palácio Apostólico. Os jardins desenvolvem-se em metade desta área, ou seja, ocupam cerca 22 hectares.

Arte e paisagem

Estes jardins envolvidos por muralhas a norte, sul e oeste, integram o conjunto monumental do Vaticano e são, desde a Idade Média, o paraíso terrestre para os Papas e demais entidades eclesiásticas. No seu interior incluem-se a Rádio Vaticano, uma estação ferroviária, o Convento Mater Ecclesiae, o Palácio do Governo, a medieval torre de S. João, construída sobre o antigo traçado da muralha leonina, entre outros edifícios e equipamentos.

Datando do século XIII, o jardim existe enquanto tal, quando as vinhas e os pomares se estendiam a norte do Palácio Apostólico (uma das residências papais); é referido que, em 1279, o Papa Nicolau III plantou um “simbólico” pomar e delineou um pequeno jardim. A reformulação dos jardins teve, no entanto, um forte impulso na Renascença e no período Barroco, estando decorados desde essa época com uma profusão de fontes e estatuária diversa.

O traçado serpenteante e suave dos arruamentos ao longo da colina, as grutas e fontes que estão dispostas ao longo destes, relacionados com factos históricos da Igreja Católica, assim como a existência de vários jardins de época (jardim “à italiana”, “à francesa”, “à inglesa” e “à americana”), tornam convidativo e aprazível o passeio nestas “vias sagradas”. Os bosques de carvalhos e azinheiras ocupam as zonas mais declivosas, numa área de cerca de três hectares, contribuindo para a infiltração da água no subsolo, para a fixação da vida selvagem e a subsequente criação de zonas ecologicamente significantes, aqui consideradas uma regra basilar. A flora é oriunda do mundo inteiro, está perfeitamente adaptada e é considerada, segundo os especialistas, um biótopo.

Século XII – evolução histórica

“Os jardins existem desde que Nicolau III (papa entre 1277 e 1280) deixou o Palácio de Latrão, em 1279, para residir no Vaticano, começando por plantar um simbólico pomar. Onde hoje existem o Pátio do Belvedere e os restantes pátios dos Museus do Vaticano, teve lugar o Circo de Nero, onde os primeiros cristãos, incluindo São Pedro, foram sacrifi cados. Segundo a tradição, Santa Helena (mãe do imperador Constantino I) espalhou simbolicamente a terra trazida do Gólgota (monte do Calvário, Jerusalém) para unir o sangue de Cristo com aquele derramado por milhares de cristãos primitivos que morreram sob a perseguição de Nero.

Século XVI-XVII

No século XVI, a colina a norte da Basílica de São Pedro (Património Mundial da Humanidade) é transformada em terraços e jardins, atualmente designados pelos jardins do Belvedere e classificados pelos Pátios do Belvedere, da Biblioteca e da Pinha, ao estilo da Renascença italiana (pátios dos Museus do Vaticano). O traçado e a composição dos jardins foi evoluindo, sofrendo também grandes transformações no século XVII, sob orientação do Papa Júlio II (216.º Papa da Igreja Católica).

A zona a oeste da Basílica de S. Pedro é atualmente designada como “os grandes jardins do Vaticano” e acolhe o jardim “à inglesa”, “à francesa”, o jardim italiano e o jardim americano, sendo estes quatro últimos de traçado regular e formal. Destacam-se as zonas verdes envolventes da Villa Pio IV, do Palácio do Governo e toda a encosta poente desde a estação ferroviária até à Rádio do Vaticano.

Século XXI

Atualmente os jardins incluem fortificações medievais, edifícios e monumentos desde o século XIII, no meio de zonas verdes e de jardins desenhados sob vários estilos. Fontes monumentais (fonte da Caravela, fonte da Águia, fonte da Concha) marcam diferentes épocas históricas; grutas artifi ciais sugerem a adoração da Virgem, esculturas marcam diversos locais, além da presença de árvores “especiais”, que são ofertas de países estrangeiros (por exemplo, uma oliveira oferecida pelo Governo de Israel).

 

 

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As joias do Vaticano

Fontes

A construção do aqueduto Acqua Paola, que ficou completo em 1612 (no tempo do Papa Paulo V), recuperando em parte o antigo aqueduto de Trajano, que abastecia Roma, possibilitou a existência de toda esta ornamentação dos jardins com fontes, tanques, lagos e jogos de água.

Fonte da Águia 1611

Junto ao mosteiro Mater Ecclesiae e à Pontifícia Academia das Ciências (Villa Pio IV-Casa do Bosque), localiza-se a célebre fonte da Águia, comemorativa do Concílio Ecuménico Vaticano I. O seu nome deriva da majestosa águia em mármore, que ocupa o topo desta fonte-cascata, constituída por rochas, revestida com musgos, que formam nichos e cavernas, com dragões e outras estátuas.

Fonte da Galera

O seu nome deriva da peça em metal, uma galera, que se localiza no centro de um grande tanque em pedra, que, por sua vez, está adoçado à fachada do Edifício do Belvedere a norte dos jardins. É a fonte mais original e complexa, pois deste navio jorram inúmeros jatos e jogos de água, de grande efeito decorativo e simbólico, revelando também um grande conhecimento de hidráulica à época.

Fonte da Concha

Esta fonte em pedra, como o nome indica, tem a forma de uma concha e das suas cascatas emana uma impressiva música aquática. Localiza-se junto à Estação Ferroviária. Segundo as crónicas, o Papa Pio XI 1857-1939, afirmava que esta estação era a mais bela do mundo, não pelo edifício em si, mas pelo som das cascatas de água desta fonte.

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Monumentos, grutas e estátuas

Torre de São João Localizada num ponto alto, junto ao heliporto, está inserida na primitiva muralha leonina. Foi “residência de verão” do Papa João XXIII 1881-1963.

Gruta da Nossa Sra. de Lourdes 1902-1905

Esta gruta artificial, réplica da gruta de Lourdes, em França, apresenta a imagem da Virgem e localiza-se na praça do mesmo nome, perto do jardim francês. Um local de oração e de grande simbologia para os católicos franceses. A presença mariana é uma constante nestes jardins.

Estátua de S. Pedro

Sobre uma “colossal coluna monolítica de mármore africano”, eleva-se a figura em bronze do apóstolo São Pedro, a abençoar os visitantes.

Palácio do Governo

Na proximidade da Basílica de São Pedro, surge este imponente edifício, que alberga o poder executivo da Cidade-Estado do Vaticano. No jardim fronteiro à escadaria, surge o brasão vegetal do Papa Francisco, as chaves de São Pedro, além dos símbolos de Jesus, Maria e São José, “desenhados” com Helicrysum, Iresine rosa e Viola s

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Jardim “à italiana”

Localiza-se num terraço junto à Rádio do Vaticano e adota o traçado regular e simétrico dos jardins romanos. Possui dois corpos iguais e simétricos, com uma composição à base de sebes de buxo e canteiros. O centro é ocupado por fontes.

Edifício PIO IV (Villa Pia ou Casa do Bosque) – Academia Pontifícia das Ciências

Este conjunto é referido como a joia dos jardins do Vaticano; data de Pio IV (Papa entre 1559 e 1565) , embora iniciado pelo Papa Paulo IV (Papa entre 1555 e 1559); possui uma arquitetura renascentista, inspirada nas antigas villas romanas. Compõe-se de um edifício principal e de uma galeria coberta em frente, separados por um pátio de forma elíptica, enriquecido por uma fonte com golfinhos. À simplicidade da arquitetura contrapõe-se uma riqueza de esculturas e ornamentação das fachadas, com mármores coloridos, estuques e revestimentos mosaicos. Estão aqui profusamente representadas cenas da mitologia clássica.

 

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Convento Mater Ecclesiae

Este convento localiza-se na proximidade da fonte da Águia e na sequência do conjunto edificado da administração da Rádio Vaticano. É um edifício em tijolo, de quatro andares, no qual viveram “irmãs” de várias ordens religiosas, tendo no seu interior 12 células monásticas. Na proximidade, temos uma horta biológica, que abastece os residentes deste convento. Presentemente, é a residência oficial do Papa emérito Bento XVI.

Jardim “à inglesa”

Delimitado pela Avenida do Bosque, Avenida do Jardim Quadrado e, a sul, pela fonte da Águia, este jardim de cariz naturalista, com caminhos de traçado irregular, serpenteando a colina, possui uma composição só aparentemente desordenada, com árvores, falsas ruínas, estátuas e fontes. A fotografia ilustra o Troço da muralha leonina, Edifício Rádio do Vaticano e Fonte da Águia.

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Jardim francês

Inclui a fonte dos Tritões no centro de um jardim formal, com sebes em buxo, delimitando canteiro de flores ou relva.

Jardim quadrado

Fonte da Águia: encimada por uma águia em mármore, esta fonte-cascata, tem nichos e cavernas, com dragões e outras estátuas.

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Visitar

É possível fazer uma visita guiada aos jardins do Vaticano. Os preços começam nos 32€. Saiba mais  em :

 

http://www.museivaticani.va/content/museivaticani/it/visita-i-musei/scegli-la-visita/ville-pontificie-e-giardini/giardini-vaticani/giardini-vaticani/visita-guidata-giardini-vaticani-per-singoli-e-gruppi.html

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